sexta-feira, 7 de março de 2014

Ladislau Dowbor Educação vista apenas como uma fase da vida que acabou.



por Raiana Ribeiro e Pedro Ribeiro Nogueira, do Portal Aprendiz
“É preciso dar ao aluno ferramentas para que possa entender o que é relevante e o que não é.”
Gerir o Conhecimento. É como o economista e professor da Pós-Graduação na Pontíficia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Ladislau Dowbor encara o desafio de educar no século XXI. Do escritório da sua casa, em São Paulo, o autor de mais de 40 obras sobre economia, gestão pública e educação falou ao Portal Aprendiz sobre como as inovações científicas e tecnológicas estão transformando os processos de ensino-aprendizagem e obrigando indivíduos, empresas e governos a adotarem novas medidas diante de um mundo regido pela informação.
“Quando falamos em educação a gente pensa em professor, sala de aula e alunos. Eu passei a trabalhar com o conceito de Gestão do Conhecimento, algo muito mais amplo e que envolve deslocamentos profundos. A educação vista apenas como uma fase da vida que acabou. Isso envolve cada vez mais gente, então temos que pensar o acesso e a interação com o conhecimento durante todas as fases da vida.”
Para compreender a Gestão do Conhecimento, segundo Dowbor, é preciso considerar três elementos. O primeiro é o fato de o conhecimento ter se tornado o principal fator de produção em todas as atividades econômicas. Já o segundo, encontra nas tecnologias de comunicação e informação (TICs) peças fundamentais para o acesso e troca de conhecimento produzido no planeta. E o terceiro vê na emergência do princípio da colaboração uma mudança de paradigma nas relações entre aqueles que produzem conhecimento.
“Se eu te dou meu relógio eu fico sem ele. Se te passo conhecimento, ficamos ambos com ele. O uso não reduz o estoque, o que muda radicalmente todos processos econômicos, porque rende muito mais colaborar do que se esconder atrás de royalties, patentes, copyrights e coisas do gênero. Isso gera potencial para evoluirmos da guerra econômica, da desigualdade, da hierarquização para uma democratização geral”, afirma ele.
Essa nova lógica tende a mudar radicalmente o papel do professor. De acordo com Dowbor, não faz mais sentido pensar a transmissão de conhecimento da cabeça do educador ou da apostila, do livro, para a cabeça do estudante. “É preciso dar ao aluno ferramentas para que possa entender o que é relevante e o que não é, para que aprenda a organizar sua memória cientifica.” Nessa perspectiva, acrescenta o economista, o professor se converte em um articulador de potenciais.
A Escola
Ora, se o conhecimento está em todas as partes, qual será a função das escolas no futuro? A resposta parece simples, mas o número de experiências pelo mundo que já conseguiram ressignificar o espaço escolar denuncia o tamanho do desafio. Para Dowbor, a saída é cada vez mais a escola assumir o papel de articuladora do conhecimento e formuladora de perguntas.
“A grande questão é como formular a pergunta certa. Quais conhecimentos eu preciso ter para responder essa pergunta? Precisamos decorar menos fórmulas. Por isso acredito que no futuro vai aflorar com muita força tudo que for ligado a metodologias.”
Em instituições onde isso já acontece – ele cita a Escola da Ponte como exemplo – os problemas são escolhidos pelos alunos e em função do interesse deles. “Isso faz uma ponte essencial entre o conhecimento e a informação. Quando o aluno está interessado em algo e você dá instrumentos para que ele pesquise, quando se trabalha por problemas e não por matérias, em tempo corrido e não em fatias de cinquenta minutos, quando o professor ajuda nas metodologias e não ensina a resposta, temos então um outro conceito de sala de aula. É como Montaigne escreveu no século 16: “precisamos de cabeças bem feitas, não bem cheias.”
Os professores e a escola, segundo ele, precisam rever suas funções. “Ainda estamos na pré-história, enfrentando a liquidação do lúdico e do artístico, da criatividade da criança e de sua vontade de conhecer. Quando você senta o menino por 40 horas semanais, você resolve o problema dos pais, não dele. Alguém que não gosta de uma matéria pode decorar e passar na prova, mas não irá guardar. Os bancos se adaptaram rapidamente ao mundo moderno, porque dá lucro. Mas a educação está no pelotão de trás”, afirma.
Para ele, há uma grita social muito forte sempre que há contratações de professores, de inchamento da máquina pública, mas a educação seria o melhor investimento, considera. “O papel do professor mudou mas ele ainda é extremamente necessário. Na Finlândia, são seis alunos para cada docente. E investir na educação pública é o melhor investimento que você pode fazer”.
Educação e Desenvolvimento
As conclusões de Dowbor vão ao encontro das resoluções da ONU, apresentadas no relatório “Ensinar e aprender: alcançar qualidade para todos”, divulgado no final de janeiro. O documento, que acompanha as metas para a educação mundial, a serem alcançadas até 2015, ressalta que “a educação reduz a pobreza, aumenta as oportunidades de trabalho e impulsiona a prosperidade econômica”. Além disso, completa o texto, “ela também melhora a probabilidade de as pessoas terem uma vida saudável, aprofunda as bases da democracia e transforma atitudes para proteger o meio ambiente e empoderar as mulheres”.
Nesse sentido, Dowbor reforça a importância de que a educação não seja vista pelos governantes apenas como um “trampolim” para conseguir um emprego ou elevar salários. “É preciso dar um norte para a educação que vá além da empregabilidade”, ressalta. Por isso, o professor propõe uma reflexão sobre o conceito de desenvolvimento, palavra tão alardeada como solução para os problemas do mundo.
Em sua opinião, é preciso deixar de lado o Produto Interno Bruto (PIB) e adotar indicadores que deem conta da qualidade de vida e do avanço de direitos e garantias sociais. “Estamos chegando no limite. Temos sete bilhões de pessoas, com 80 milhões a mais por ano, a TV empurra produtos, um consumismo surrealista que liquida a conectividade das pessoas, que substitui a família por encontro com mercadorias, gerando uma crise social agravada pela desigualdade.”
Em lugar de alimentar essa realidade, Dowbor acredita que devemos nos perguntar: “Estamos vivendo melhor? Se sim, não precisa aumentar o PIB. Se você consegue viver de maneira melhor e honesta, acho que é o caminho”, finaliza.
Clique aqui para ler a entrevista “Gestão do Conhecimento Local”, cedida por Ladislau Dowbor para o livro “Pesquisa-Ação Comunitária: Coleção de Tecnologias do Bairro-Escola”, cedida por Ladislau Dowbor para a Associação Cidade Escola Aprendiz.
Conheça o trabalho de Dowbor
Ladislau Dowbor leva tão a sério a ideia de compartilhamento do conhecimento, que criou um site onde disponibiliza toda sua produção acadêmica, além de artigos e notícias que considera de interesse.
* Publicado originalmente no site Portal Aprendiz.
http://dowbor.org/2014/03/ladislau-dowbor-educacao-vista-apenas-como-uma-fase-da-vida-que-acabou-marco-2014-3p.html/

quinta-feira, 6 de março de 2014

Poema - De repente alguém se torna presente



De repente, alguém se torna presente. (*)

Eis que de repente, alguém se torna presente.
Desculpai-me não ser bem eu.
Entretanto, ficaste no meu coração.

Somos um instante mínimo de mil fragmentos,
Em um jogo misterioso, aproximamo-nos e afastamo-nos,
E por entre as circunstâncias fluímos.

Todo passado é como ingênua infância.
Somos novos e antigos todos os dias.
Seja o que for agora, onde quer que estejas,
Vejo-te na miragem dos meus sonhos.

Oh!  Eleita.
Vem de manso... de leve... e suave como uma prece.
Fluindo poesia por entre teu sorriso.

Oh! Eleita.
Fácil seria dizer:”... eu te amo...”
Difícil, saber que amor sentimos, damos, desejamos.

Oh! Eleita.
Fácil é dizer: “...para sempre...”
Difícil é saber até onde ressoa tão grande juramento.

Porque seus olhos seduzem como a madrugada.
E minha linguagem é este aroma, esta flor.
O que um dia foi imagem, fez-se agora presente-ausente,
Breve saudade.

Agora preciso me despedir.
Não me fiz presença: surgi.
E antes de me entenderes, sussurro ao tem ouvido....

Já não sou eu, mas o existente-ausente-presente..
Já que não sei os motivos por que vim.
Melhor assim. E aonde for
Leva o perfume desse dia delirante,
Nas asas da loucura inebriante.

(*) uma poética intervencionista na poesia de Cecília Meireles
Josenildo Santos de Souza – Dezembro/2006.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Educar para a esperança



Educar para a esperança
                                                                                                Marcelo Barros

Mesmo em meio aos maiores sofrimentos e problemas, a humanidade busca sempre razões para esperar. Às vezes, as pessoas que vivem situações de maior carência e sofrimento são as que mais se dispõem à alegria de viver e à teimosia de confiar no amanhã. Essa esperança pode ser ilusória e alienada quando é preguiçosa. Há quem diga: "Vamos ter paciência que o próprio tempo resolve”. Infelizmente, por si mesmo, o tempo nada pode resolver. Apenas adia o enfrentamento das questões. E, pela sucessão dos dias, muitos problemas até pioram. Entretanto, além do tipo de esperança baseada na ilusão, existe também um modelo de esperança, grávida de utopias. Essa nos dá energia para lutar e nos chama a não nos conformar. Essa esperança deve ser lúcida, atenta às dificuldades, mas decidida a nadar contra a corrente e ser energia de transformação da realidade e da vida. Essa esperança, para ser eficaz, tem de ser educada e organizada.
Na tarefa de educar para a esperança, as tradições religiosas têm uma missão importante. No Brasil, religiões afrodescendentes lidam com o Axé, energia vital. Celebram a presença divina na natureza e o encanto da vida. Fazem do culto uma dança de alegria que dá às pessoas força para resistir às tristezas da vida. O Budismo ensina a libertação dos desejos como caminho do nirvana, ou seja, da paz e da salvação. No passado, muitas vezes, o Cristianismo falou mais da vida depois da morte e do mundo sobrenatural do que do projeto divino para esse mundo, pelo qual Jesus pediu, ao ensinar seus discípulos a orar: "Venha a nós (isso é, para cá) o teu reino”. Nas últimas décadas, a inserção das Igrejas na caminhada do povo pela sua libertação tem ajudado pessoas e comunidades a testemunharem que, como dizem os fóruns sociais: "um novo mundo é possível!”.
A esperança de transformar a vida e o mundo tem um conteúdo revolucionário. Hoje, muita gente tem medo de usar a palavra revolução. É preciso resgatar esse conceito, hoje ainda associado por alguns grupos ao ódio, à violência e à luta armada. Na primeira parte do século XX, Caio Prado Júnior definiu a revolução como: "transformações capazes de reestruturar a vida de um país a partir de suas necessidades mais profundas e as aspirações da grande massa de sua população que, no estado atual, não são devidamente atendidas (...) Algo que leve o país por um novo rumo”[1]. Paulo Freire propunha uma "Pedagogia da Revolução”, como um trabalho de formação do ser humano que o torne apto ao processo de transformação social e à consolidação da nova organização social e política, produzida por uma reflexão (diagnóstica, judicativa e teleológica) sobre a educação, na perspectiva da hegemonia popular segundo as exigências do método dialético.
As Igrejas cristãs vieram para a América Latina através dos colonizadores europeus (a Igreja Católica e algumas das evangélicas mais antigas) e através de missionários norte-americanos (algumas Igrejas evangélicas mais novas e as pentecostais). Tanto europeus, como norte-americanos, em sua maioria, ao trazerem a mensagem do Evangelho, impunham a sua cultura e uma visão de fé desligada do compromisso de mudar o mundo. Por isso, as Igrejas têm uma dívida moral com os povos do continente. Devem ser testemunhas e agentes da esperança de um mundo novo, mais justo e igualitário. Na carta aos romanos, Paulo insiste: "Não vos conformeis com esse mundo, mas transformai-vos pela renovação de vossa inteligência para discernir qual a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe é agradável e perfeito” (Rm 12, 2). Para os cristãos, a fé nos revela que a esperança é um dom divino e não apenas uma capacidade nossa. E se baseia não na visão da realidade que é, em geral, dura e difícil. A esperança se enraíza na promessa divina de uma salvação que não é só para depois da morte. É a possibilidade de sermos felizes e fazermos os outros felizes nessa terra que Deus nos deu para vivermos.

[1] - Cf. PRADO JR., CAIO, Revolução Brasileira, São Paulo, Civilização Brasileira, 1966, citado por L. BOFF, Responder Florindo, Garamond Rio de Janeiro, 2004, p. 47.
http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=79548

segunda-feira, 3 de março de 2014

CEPAL – La hora de la igualdad: brechas por cerrar, caminos por abrir – América Latina e as políticas de combate à desigualdade – Santiago, mayo de 2010, 289p.



A CEPAL publicou um documento de primeira importância, “La Hora de la Igualdad”. Apresenta o resgate da massa dos excluídos do nosso subcontinente como eixo principal das políticas não apenas distributivas, mas econômicas e sociais no sentido mais amplo. De certa forma, a nossa principal herança maldita, a desigualdade, passa a ser vista como oportunidade de expansão econômica interna, um horizonte positivo de crescimento, não mais baseado em consumo de luxo de minorias, mas em consumo e inclusão produtiva de quem precisa. É a dimensão latinoamericana do que o Banco Mundial chama de população “sem acesso aos benefícios da globalização”, cerca de 4 bilhões de pessoas no planeta, quase dois terços do total. Numa terminologia mais prosáica, são os pobres.

O denominador comum da transformação desta década é a ampliação do consumo de massa. A visão enfrenta fortes resistências, com todos os preconceitos herdados, mas no conjunto os efeitos multiplicadores estão se verificando, e o processo foi se ampliando com a geração de governantes progressistas eleitos na região. A visão de bom senso é de que o principal desafio, a exclusão econômica e social de mais da metade da população, pode constituir uma oportunidade, um novo horizonte de expansão no mercado interno, favorecendo assim não só os pobres, mas o conjunto do aparelho produtivo. A crescente pressão da base da pirâmide social por melhores condições de vida, articulada com a determinação dos governos de promover as mudanças, gerou um círculo virtuoso em que o econômico, o social e o ambiental encontraram o seu campo comum, e no contexto tão importante de uma governança democrática.

Os avanços sociais sempre foram apresentados como custos, que onerariam os setores produtivos. As políticas foram tradicionalmente baseadas na visão de que a ampliação da competitividade da empresa passa pela redução dos seus custos. Isto tem duas vertentes. Enquanto a redução dos custos pela racionalização do uso dos insumos, redução da pegada ecológica e aproveitamento das novas tecnologias produtivas e organizacionais é essencial, pelo avanço de produtividade que permite, a redução de custos pelo lado da mão de obra reduz o mercado consumidor no seu conjunto, e tende a ter o efeito inverso. Ao reduzir o mercado consumidor, limita a escala de produção, e mantém a economia na chamada “base estreita”, de produzir pouco, para poucos, e com preços elevados, que é a tradição latinoamericana. E poupa as empresas mais atrasadas de investirem na modernização.

A crise financeira mundial deixou as coisas mais claras. A evolução da América Latina frente à crise se caracteriza pelo fato de que no momento da eclosão dos problemas nos Estados Unidos, a região já vinha tomando medidas redistributivas no sentido amplo, ficando assim parcialmente preparada. No pior da crise, intensificou as medidas, o que facilitou a transição. No entanto, o problema principal não é a crise de 2008. Por mais grave que esta seja, o principal é que a América Latina era e continua sendo a região mais desigual do planeta, com problemas estruturais absolutamente obscenos em termos de riqueza ostensiva e perdulária frente à miséria do grosso da população e as correspondentes perdas de produtividade.

Deste ponto de vista, a crise financeira de certa forma representou uma oportunidade, ao tornar mais evidente a necessidade de uma ampla base de consumo popular. Apraoveitarm-se assim as políticas anti-cíclicas características de uma conjuntura determinada, para estabilizar políticas estruturais, visões de Estado. Paradoxalmente, é graças à crise que um conjunto de setores fechados a visões progressistas passou a ver de outra maneira o papel do Estado, as políticas distributivas, as políticas sociais em geral. Com o colapso dos mercados mundiais, foi importante para uma série de setores de atividade mais vinculados à exportação poderem se reconverter para o mercado interno que se expandia apesar da crise. Com o travamento dos créditos dos bancos comerciais, outros setores viram com bons olhos a existência de bancos públicos que não só mantiveram como expandiram as linhas de crédito. Uma visão mais ampla da política econômica se generalizou, abrindo mais espaço para medidas de longo prazo.

O estudo da Cepal sistematiza de maneira muito útil este novo enfoque, apontando seis grandes pilares:

1) Una política macroeconómica para un desarrollo inclusivo: La región puede crecer más y mejor. No sólo es necesario lograr un mayor dinamismo económico, sino también mayores niveles de inclusión e igualdad social, menor exposición a los impactos de la volatilidad externa, más inversión productiva y más generación de empleos de calidad. El rol de las políticas macroeconómicas es esencial.

2) Convergencia productiva con igualdad: Las economías latinoamericanas y caribeñas se caracterizan por una notoria heterogeneidad estructural que explica en gran medida la aguda desigualdad social de la región. Esta heterogeneidad está dada por las brechas internas y externas de productividad. Para ayudar a cerrar estas brechas, la CEPAL propone transformar la estructura productiva a partir de tres ejes de políticas: el industrial, con énfasis en la innovación; el tecnológico, centrado en la creación y difusión de conocimiento; y el apoyo a las pequeñas y medianas empresas (pyme).

3) Convergencia territorial: El territorio sí importa. Las brechas sociales y de productividad también tienen su expresión espacial. De allí la urgencia de crear políticas que aborden la heterogeneidad territorial al interior de los países. En la corrección de disparidades territoriales las transferencias intergubernamentales son decisivas, así como los fondos de cohesión territorial.

4) Más y mejor empleo: El empleo es la llave maestra para resolver la desigualdad. Para superar las brechas que se producen en los ingresos, el acceso a la seguridad social y la estabilidad laboral -además de la discriminación que sufren las mujeres, minorías étnicas y jóvenes-, la CEPAL propone una hoja de ruta centrada, entre otros temas, en el impulso de un pacto laboral que genere dinamismo económico y proteja al trabajador.

5) El cierre de las brechas sociales: El Estado tiene un rol decisivo en revertir la desigualdad, lo que implica un aumento sostenido del gasto social, avanzar en la institucionalidad social y hacia sistemas de transferencias de ingresos para mejorar la distribución hacia los sectores más vulnerables.

6) El pacto fiscal como clave en el vínculo entre el Estado y la igualdad: Es necesario dotar al Estado de mayor capacidad para redistribuir recursos y promover la igualdad. Se trata de un Estado de bienestar y no de un Estado subsidiario, que avance hacia una estructura tributaria y un sistema de transferencias que privilegie la solidaridad social. Con una nueva ecuación Estado-mercado-sociedad se podrá alcanzar un desarrollo con empleos de calidad, cohesión social y sostenibilidad ambiental.

A formulação desta visão na América Latina, que sempre separou, em termos de análise, as políticas econômicas e as políticas sociais, é sumamente importante. Tanto no Brasil como em outros países, as políticas distributivas continuam a ser apresentadas pelas oligarquias como “assistencialismo”, e a fragilidade das políticas de prestação de serviços sociais como efeito natural da ineficiência do Estado. A dinâmica social como vetor de promoção das atividades econômicas no seu conjunto, nestas propostas da Cepal, constitui uma visão de bom senso. O desenvolvimento volta aqui a ser entendido como processo integrado, e a dimensão econômica se articula com as dimensões sociais e ambientais.

As políticas sociais passam assim a ser analisadas não apenas na sua eficiência específica, em termos de melhoria da saúde ou da promoção das pessoas, por exemplo, mas no seu impacto geral para as atividades econômicas. A concepção de que “a produção” geraria riqueza, enquanto o social constituiria gasto, é simplesmente errada. Consolida-se a visão do social como investimento. Segundo o Relatório, “Los recursos utilizados en la gestión social, más que gasto son una inversión”:

Em outra dimensão, o investimento social, ao tirar as pessoas da miséria, e integrá-las na dinâmica econômica mais ampla, permite ultrapassar gradualmente o eterno dualismo que trava o desenvolvimento da região: bens pobres para pobres, saúde pobre para pobres e assim por diante. É o que o relatório da Cepal chama da “hetorogeneidade estrutural” que precisa ser enfrentada para gerar a “convergência produtiva”.

“Las transferencias destinadas a la exclusión social y el desempleo, a la vivienda, la familia y los niños aumentan la eficacia macroeconómica en la medida en que favorecen la participación de la mujer, la inserción laboral de las personas excluidas y también el consumo privado. Esto coincide con uno de los principales mensajes que se ha querido transimitir en este trabajo, a saber, la necesidad de visualizar el gasto social pro bienestar desde una perspectiva de inversión social que contribuya a reducir la heterogeneidad estructural y avanzar hacia la convergencia productiva”. (243)

Neste subcontinente historicamente assolado por oligarquias retrógradas sustentadas por interesses transnacionais, onde sempre se promoveu o desenvolvimento excludente, onde a própria modernidade se apresenta como acesso de minorias a um luxo ostensivo, trata-se realmente de uma virada histórica. Não pelos resultados, que ainda são extremamente tímidos, dada a produndidade da desigualdade herdada, mas pela reorientação das políticas.
Bernardo Kliksberg, que prefacia a obra, também vê as novas políticas na sua dimensão transformadora mais ampla, envolvendo a própria ética dos processos econômicos. “En América Latina, hay hoy una sed de ética. Vastos sectores confluyen en la necesidad de superar la escisión entre ética y economía que caracterizó a las últimas décadas. Una economía orientada por la ética no aparece como un simple sueño, sino como una exigencia histórica para lograr que la paradoja de la pobreza en medio de la riqueza pueda realmente superarse y construir un desarrollo pujante, susten­table y equitativo.”

O documento da Cepal pode ser acessado na íntegra, sem custos, no link http://bit.ly/9Vpwt4 . Uma versão resumido em portugués, de 50 páginas, pode ser acesssada em http://bit.ly/bqwYAh
Documento síntese com 58 páginas em português: http://bit.ly/bqwYAh Documento completo em espanhol: http://bit.ly/bA9yrl
http://dowbor.org/2010/11/cepal-la-hora-de-la-igualdad-brechas-por-cerrar-caminos-por-abrir.html/