segunda-feira, 24 de março de 2014

Pesquisadores descobrem 169 novas espécies de fauna e flora na Amazônia



Pesquisadores descobrem 169 novas espécies de fauna e flora na Amazônia

O achado é fruto do trabalho de cientistas do Museu Paraense Emílio Goeldi ao longo de quatro anos; pequeno primata está entre as novidades
Em somente quatro anos de trabalho na maior floresta tropical do mundo, a Amazônica, pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi descobriram a existência de 169 novas espécies da fauna e da flora. O levantamento, que contou com a participação de quase mais cientistas do que espécies, será anunciado nesta quarta-feira, 19, pelo museu.
Entre os achados, estão 14 plantas e 155 animais, sendo a maioria (112) de aracnídeos. Há ainda 12 espécies de peixes, 10 de aves, 10 de anfíbios, 6 de répteis, 4 de dípteros (grupo dos mosquitos e moscas) e um mamífero - um pequeno primata.
A distribuição mais pendente para o lado dos invertebrados não surpreende, uma vez que obviamente eles ocorrem em maior quantidade na natureza. No entanto as descobertas nessa área sempre foram um pouco mais lentas - tanto pelas inúmeras dificuldades em estudar animais tão diminutos quanto pelo pouco interesse do público em geral em espécies que não estão claramente à vista.
O novo achado, segundo o zoólogo Alexandre Bonaldo, ganhou em rapidez por estar inserido em um grande projeto internacional que visa identificar, em todo mundo, gêneros e espécies da família Oonopidae - que reúne pequeníssimas aranhas de 2 mm a 5 mm.
O Inventário da Biodiversidade Planetária (PBI, na sigla em inglês) envolve pesquisadores de 20 instituições de todo o mundo e permite que eles descrevam espécies em uma plataforma online.
"Com as ferramentas cibernéticas é possível fazer descrições estruturadas, que podem ser comparadas com as dos outros colegas, o que facilita e acelera a descoberta de novidades", afirma o pesquisador.
Bonaldo trabalhou basicamente com exemplares que estavam há muitos anos em coleções de museus aguardando identificação. "Descrever invertebrado é uma coisa sem fim. É uma diversidade tão grande, e as pessoas tendem a não prestar muita atenção, mas são peças importantes do ecossistema. Para preservar é preciso saber o que tem ali", diz.
Essas aranhas, em especial, são predadoras, que comem outros pequenos insetos e acabam atuando no processo de decomposição da matéria orgânica que se acumula no solo, na chamada serrapilheira (camada do solo de florestas feita de folhas e ramos misturados à terra).
Vertebrados. Entre os animais maiores descritos agora destaca-se o um novo macaquinho, o Mico rondoni, que, como o nome leva a entender, existe somente em Rondônia, na área entre os Rios Mamoré, Madeira e Ji-Paraná. Por muito tempo ele foi confundido com uma outra espécie, o Mico emiliae, que ocorre no Pará. A nova espécie está ameaçada pelo intenso desmatamento no Estado, principalmente no entorno da BR-364.
Nessa mesma região também foram descobertas recentemente novas espécies de aves, como a Hylophylax naevius, popularmente conhecida como guarda-floresta. Ela ainda não foi descrita, o que indica que muitas espécies ainda estão por surgir.
As descobertas dos últimos quatro anos chamam atenção pela grande quantidade em pouco tempo. O último levantamento em massa do museu - o Catálogo de Espécies do Milênio, apresentado em 2012 - trazia, por exemplo, 130 novas espécies descritas ao longo de 11 anos de pesquisa da instituição.
Segundo Marlucia Martins, coordenadora do grupo de pesquisa em biodiversidade do museu, houve uma melhora nos últimos anos do planejamento sobre o que pesquisar e isso acabou garantindo um resultado imediato.
"Não existe fórmula para descobrir novas espécies, é acaso, mas algumas coisas melhoram a probabilidade de achar, como ir para lugares poucos explorados, tanto geográficos quanto no próprio ambiente, como olhar mais para o solo e a copa das árvores. Também passamos a investir mais nas coleções científicas. Além disso várias descobertas foram feitas com a ajuda da biologia molecular, que permite distinguir várias espécies que antes se imaginava ser uma só. Isso acelera bastante, quebra a barreira de usar só uma fonte para identificar, como a morfologia", explica.
Foi isso que possibilitou, por exemplo, que se descobrisse o torom-de-alta-floresta (Hylopezus whittakeri), ave que sempre foi confundida com o torom-carijó (Hylopezus macularius). De acordo com a pesquisadora, a expectativa é aumentar de 20% a 30% o número de novas espécies só no grupo de aves, e somente usando a biologia molecular.
Texto publicado originalmente no jornal Estadão
 http://estadao.br.msn.com/ciencia/pesquisadores-descobrem-169-novas-esp%C3%A9cies-de-fauna-e-flora-na-amaz%C3%B4nia. Atualizado: 19/02/2014 00:01 | Por Giovana Girardi, estadao.com.br

terça-feira, 18 de março de 2014

A Barbárie no Horizonte

Mészáros A Barbárie no Horizonte


 A atual crise do capitalismo, que faz eclodir protestos por toda a parte, é estrutural e exige uma mudança radical. Essa é a visão do filósofo István Mészáros, 82.
Professor emérito da Universidade de Sussex (Reino Unido), o marxista Mészáros defende que as ideias socialistas são hoje mais relevantes do que jamais foram. Nesta entrevista, feita por e-mail, ele afirma que o avanço da pobreza em países ricos demonstra que "há algo de profundamente errado no capitalismo", que hoje promove uma "produção destrutiva".
Maior discípulo e conhecedor da obra do também filósofo húngaro marxista György Lukács (1885-1971), Mészáros lançará aqui o seu livro 
O Conceito de Dialética em Lukács [trad. Rogério Bettoni, Boitempo, R$ 39, 176 págs.], dos anos 60.
A mesma editora lança, de Lukács, 
Para uma Ontologia do Ser Social 2 [trad. Ivo Tonet, Nélio Schneider e Ronaldo Vielmi Fortes, R$ 98, 856 págs.] e o volume György Lukács e a Emancipação Humana [org. Marcos Del Roio, R$ 39, 272 págs.].
Filósofo húngaro encara a crise do capitalismo
ELEONORA DE LUCENA
RESUMO O filósofo húngaro István Mészáros, principal discípulo e conhecedor da obra de seu conterrâneo György Lukács, lança livro e faz palestras no Brasil. O pensador marxista argumenta que as ideias socialistas são hoje mais relevantes do que jamais foram e defende mudanças estruturais para conter a crise do capitalismo.
A atual crise do capitalismo, que faz eclodir protestos por toda a parte, é estrutural e exige uma mudança radical. Essa é a visão do filósofo István Mészáros, 82.
Professor emérito da Universidade de Sussex (Reino Unido), o marxista Mészáros defende que as ideias socialistas são hoje mais relevantes do que jamais foram. Nesta entrevista, feita por e-mail, ele diz que o avanço da pobreza em países ricos demonstra que "há algo de profundamente errado no capitalismo", que hoje promove uma "produção destrutiva".
Mészáros vem ao Brasil para palestras em São Paulo (amanhã, no Tuca, às 19h), Marília, Belo Horizonte e Goiânia. Maior discípulo e conhecedor da obra do também filósofo húngaro marxista György Lukács (1885-1971), Mészáros lançará aqui o seu livro "O Conceito de Dialética em Lukács" [trad. Rogério Bettoni, Boitempo, R$ 39, 176 págs.], dos anos 60.
A mesma editora lança, de Lukács, "Para uma Ontologia do Ser Social 2" [trad. Ivo Tonet, Nélio Schneider e Ronaldo Vielmi Fortes, R$ 98, 856 págs.] e o volume "György Lukács e a Emancipação Humana" [org. Marcos Del Roio, R$ 39, 272 págs.].
Folha - O sr. vem ao Brasil para falar sobre Lukács. Como avalia a importância das suas ideias hoje?
István Mészáros - Lukács foi meu grande professor e amigo por 22 anos, até sua morte, em 1971. Ele começou como crítico literário e transitou para temas filosóficos fundamentais, em trabalhos com implicações de longo alcance. Fala-se menos de sua atuação política direta entre 1919 e 1929. Ele foi ministro de Educação e Cultura no breve governo revolucionário da Hungria em 1919 e é um exemplo de que moralidade e política não só devem como podem andar juntas.
Sua vida e a dele unem teoria e prática. Que diferença há entre ser militante marxista no séc. 20 e hoje?
A dolorosa e grande diferença é que os principais partidos da Terceira Internacional, que teve uma força organizacional significativa e até influência eleitoral durante algum tempo, implodiram. Como um militante intelectual por mais de 50 anos, ele estaria desolado hoje.
Quando a União Soviética acabou, muitos previram o fracasso do marxismo. Depois, com a crise de 2008, muitos previram o fim do neoliberalismo e a volta das ideias de Marx. O marxismo está em expansão?
Conclusões apressadas geralmente nascem mais de desejos do que de evidências. O colapso do governo [Mikhail] Gorbatchov (1985-91) não resolveu nenhum dos problemas em questão na URSS. Também não é possível descartar o neoliberalismo só pelo fato de que suas ideias são perigosamente irracionais. Em certas condições, até absurdos perigosos obtêm apoio em massa, como mostra a história.
A mudança de humor que colocou "O Capital", de Marx, de novo na moda não significa que as ideias marxistas estejam avançando. É inegável que o aprofundamento da crise está gerando protestos mundo agora. Mas encontrar soluções sustentáveis requer a elaboração de estratégias e de formas de organização.
E as ideias conservadoras? Elas estão ganhando mais adeptos?
Inegavelmente, ainda que não sejam sustentáveis. "Não mudar" é quase sempre mais fácil do que "mudar" uma forma de comportamento. Na situação atual, respostas podem requerer esforços maiores do que seguir o que "deu certo".
Qual seria uma boa definição para o período histórico atual?
Há diferença fundamental entre as tradicionais crises cíclicas/conjunturais do passado (que pertencem à normalidade do capitalismo) e a crise estrutural do sistema do capital como um todo --que define o atual período. Nossa crise estrutural (que nasce no final dos anos 1960 e se aprofundou desde então) necessita de mudanças estruturais.
Quais são as figuras mais importantes deste século 21 até agora?
A figura política cujo impacto deve perdurar e se estender é a do presidente da Venezuela Hugo Chávez (1954-2013). Fidel Castro foi muito ativo na primeira metade desta década, mas as raízes de seu impacto histórico estão nos anos 50. Do lado conservador, se ainda estivesse vivo, eu não hesitaria em nomear o general De Gaulle. Ninguém neste século chegou a sua estatura no lado conservador.
E o evento mais surpreendente?
É provavelmente a velocidade com que a China conseguiu se aproximar da economia norte-americana, alcançando o ponto em que ultrapassá-los é considerado factível em alguns anos. No entanto seria ingênuo imaginar que a China possa permanecer imune à crise estrutural do sistema do capital. Mesmo o superávit de trilhões de dólares dos chineses pode evaporar numa turbulência.
O capitalismo se fortaleceu ou se enfraqueceu com a crise?
As tradicionais crises cíclicas/conjunturais fortaleciam o capitalismo, já que eram eliminadas empresas capitalistas inviáveis. Assim, ocorria o que [Joseph] Schumpeter (1883-1950) idealmente chamou de "destruição criativa". Os problemas são mais sérios hoje, porque a crise estrutural afeta de forma perigosa até a dimensão mais fundamental do controle metabólico social da humanidade, incluindo a natureza. É mais apropriado descrever o que ocorre como "produção destrutiva".
A crise provocou mudanças políticas em muitos países. É possível discernir um movimento geral, para a esquerda ou para a direita?
Até agora, é mais para a direita do que para a esquerda. Todos os governos "capitalistas avançados" adotaram políticas que tentam resolver problemas pela "austeridade", com cortes reais em salários e nos padrões de vida já precários dos "menos privilegiados". Mas é improvável que essas políticas produzam soluções duradouras.
Como o sr. previu, a pobreza aumentou. Nos EUA, a desigualdade cresceu. O que está errado no capitalismo?
Certamente há algo de profundamente errado e insustentável na maneira como o crescimento é perseguido sob o capitalismo. Há alguns dias o ex-primeiro-ministro britânico John Major reclamava que neste inverno muitas pessoas no Reino Unido terão de escolher entre comer e se aquecer. Em 1992, quando era premiê, ele disse, com autocomplacência: "O socialismo está morto; o capitalismo funciona". Eu disse, então: "Para quem e por quanto tempo?". O único crescimento com significado é o que responde à necessidade humana.
A crise ampliou o desemprego em muitas regiões e abalou o Estado de bem-estar social na Europa. Multidões foram às ruas protestar. Os partidos de esquerda estão se beneficiando desses movimentos?
O Estado do bem-estar social foi limitado a um punhado de países capitalistas e se ergueu sobre fundações frágeis. A tendência que se nota e que se aprofunda eu já havia caracterizado nos anos 70 como "equalização descendente da taxa diferencial de exploração". Isso diz respeito às diferenças nos ganhos por hora de trabalhadores para o mesmo trabalho na mesma transnacional na "metrópole" e em países "periféricos".
Os protestos em muitos países capitalistas são compreensíveis e devem se agudizar. Eles surgem no arcabouço dessa tendência perversa. Os partidos que operam no enquadramento da política parlamentar, compreensivelmente, não podem se beneficiar dos protestos --eles tendem a acomodar seus objetivos a limites restritos.
Os protestos no Brasil têm conexão com os de outros países?
É impossível achar hoje um lugar no mundo onde não estejam ocorrendo protestos sérios. Eles parecem ter diferentes temas, criando uma impressão superficial de que não há correlação entre eles. É um autoengano. A grande variedade de protestos não se enquadra nos modos de ação da política tradicional, mas isso não é prova de sua irrelevância. Ao contrário, apontam para as razões mais profundas dos problemas e das contradições acumuladas.
Qual a relevância das ideias socialistas hoje?
As ideias socialistas têm sido definidas desde o início como as que requerem uma época histórica para a sua concretização, embora os problemas imediatos, de onde elas devem partir, sejam muito dolorosos. Elas requerem não apenas os serviços urgentes mas também prevenção para as doloridas infecções no longo prazo. As ideias socialistas são, portanto, mais relevantes hoje do que jamais foram.
O socialismo ou o comunismo são objetivos atingíveis no futuro? Há risco de barbárie?
Como já escrevi antes, se tivesse que modificar as famosas palavras de Rosa Luxemburgo, "socialismo ou barbárie", acrescentaria: "Barbárie se tivermos sorte". Porque o extermínio da humanidade é a ameaça que se desenrola. Enquanto falharmos em resolver os grandes problemas que se espalham por todas as dimensões da nossa existência e nas relações com a natureza, o perigo seguirá no horizonte.
http://jornalggn.com.br/blog/antonio-ateu/meszaros-a-barbarie-no-horizonte

domingo, 16 de março de 2014

Walter Benjamin O Caminho para o sucesso em Treze Teses



Walter Benjamin O Caminho para o sucesso em Treze Teses
                                           “Devorar significa sobretudo: engolir algo por inteiro. Walter Benjamin”.
                                                                                                   Josenildo Santos de Souza
                                                                                                                 Novembro/2011.

1)      Não existe nenhum grande sucesso ao qual não correspondam realizações efetivas. As realizações são a consequência. as verdadeiras realizações que estão na base dos grandes sucessos são: uma grande exigência, uma réplica habilidosa, uma transação feliz.
2)      A satisfação pelas realizações eleva a autoestima, o prato principal das realizações.
3)      Só poderão ter sucesso durável aqueles que, em suas ações, parecem ser dirigidos - ou efetivamente o são - por motivos simples, transparentes. O sucesso duradouro é acompanhado pela transparência nas ações e informações ao povo.
4)      A fome de clareza é a mais elevada paixão de todo público.
5)      Todos buscam encontrar a formula do sucesso. O publico pretende conferir aquela fórmula, precisá-la, comprová-la com realidade.
6)      Todas as épocas anteriores estavam convictas de que os contemporâneos guardavam as chaves dos portões da fama.
7)      A fama, ou melhor, o sucesso, tomou-se obrigatória nos dias de hoje. Condição para a vitória: o gosto pelo sucesso superficial como tal. Um prazer puro, desinteressado, que se manifesta da melhor maneira, no prazer de alguém pelo sucesso, mesmo quando este pertence a um terceiro ou quando é um sucesso "imerecido".
8)      Muita coisa é inata, mas o treino ajuda muito. Portanto, não terá sucesso aquele que vive se poupando e só se empenha de verdade no caso de assuntos capitais, e não é capaz, às vezes, de se empenhar ao máximo por pequenas coisas. Pois só assim ele aprende o que é o mais importante, mesmo nas grandes negociações: o prazer de negociar, que vai até o prazer esportivo com relação ao interlocutor, a grande capacidade de abrir mão durante alguns momentos, do seu objetivo (Deus é generoso para com os que têm fé, e finalmente e sobretudo: amabilidade. Não a amabilidade reticente, amorfa, fácil, mas a imprevista, dialética, impulsiva – um laço que, de um só golpe, toma o adversário dócil. 
9)      De todo candidato a um posto, quer-se muito menos ouvir o que ele .tem a dizer do que observar como ele se comporta. O candidato esbarra no segredo da prova. Por isso, em qualquer prova, as melhores chances não estão com os candidatos mais bem preparados, mas com os que sabem improvisar. Se somos bem-sucedidos, fica agradecido e se dispõe a nos facilitar muitas coisas.
10)  Na vida real, em todo em todo indivíduo bem-sucedido habita um gênio. O sucesso também é um encontro marcado: estar na hora certa no lugar certo; nada insignificante. Pois isso quer dizer: entender a linguagem na qual a fortuna se comunica conosco. Não lhe ocorre, porém, que aquilo que ele assim denomina significa, na gramática da fortuna, o mesmo que, na nossa gramática, o verbo irregular, ou seja, a marca indelével de uma força original.
11)  A estrutura de todo sucesso é, no fundo, a estrutura do acaso. Renegar o próprio nome, esta foi sempre a maneira mais radical de afastar todas as inibições e sentimentos de inferioridade. Assim, o jogo é um verdadeiro steeple-chase na pista de obstáculos do próprio ego. O jogador é anônimo, não tem nome próprio e não necessita de nenhum nome estranho, pois as fichas o representam, ali, num lugar bem determinado do pano, que se chama verde, corno a árvore dourada da vida, mas que é cinzento corno o asfalto. E que delírio, nessa cidade de oportunidades, nesse emaranhado de ruas da fortuna, de tomar-se duplo, onipresente, e poder espreitar, em dez esquinas ao mesmo tempo, a fortuna que se aproxima!
12)   Cada um pode trapacear o quanto quiser. Só não deve se sentir um farsante.

13)   Com a expressão "presença de espírito", a linguagem trai o fato de que o segredo do sucesso não se localiza no espírito. O que decide não é o "quê" ou o "como", mas apenas o onde do espírito. Ele só consegue estar presente, nesse momento e espaço, na medida em que penetra no tom de voz, no sorriso, na mudez, no olhar, no gesto. Pois a presença do espírito existe apenas graças ao corpo. E precisamente porque, no caso dos grandes homens de sucesso, o corpo segura com mãos de ferro as reservas do espírito, o espírito só raramente exibe suas jogadas brilhantes. O sucesso com o qual gênios das finanças fizeram suas carreiras é, portanto, da mesma espécie que a presença de espírito com a qual um Abbé Galiani agia nos salões. Só que, como disse Lêrnn, hoje em dia não se trata mais de dominar homens, mas de dominar coisas. Daí a apatia que, entre os magnatas das fmanças, domina tão frequentemente a mais elevada presença de espírito.

Considerações finais
O sucesso é o tempero de tudo aquilo que vamos saborear na ocasião de tomar uma decisão. Seja ela por ocasião: do perigo da batalha, na cautela de quando somos perseguidos, no calor do fogo das paixões, no aconchego do repouso do lar ou do descanso merecido ou na incerteza do presente que parteja o futuro das nossas realizações que denominamos de SUCESSO.
Referência:
Benjamin. Walter, 1892·1940. Documentos de cultura. documentos de barbárie : escritos escolhidos I seleção e apresentação Willi Bolle ; tradução Celeste H.M. Ribeiro de Sousa ... I et al.1. - São Paulo: Cultrix : Editora da Universidade de São Paulo. 1986.

Para citação bibliográfica: SOUZA, J.S.