segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Secas na Amazônia podem ser mais frequentes e longas, apontam especialistas em Workshop no Inpa



As secas extremas, que ocorreram nos anos de 2005-2010, na Amazônia, preocupam os cientistas. Elas podem ser ainda mais frequentes e longas no futuro. Além disso, os modelos climáticos, que permitem avaliar as mudanças no clima, apontam que por volta de 2050 pode ocorrer uma transição na vegetação na Amazônia de bosque tropical para savana.

Para o pesquisador do Instituto Geofísico del Perú, Jhan Carlo Espinoza, estes eventos são resultados da temperatura da região do Atlântico Tropical Norte, próximo à costa do Brasil até a África. “Quando esta região está mais quente do que o normal, produz mais precipitações no Atlântico e reduz as chuvas na Amazônia, causando secas extremas com os níveis dos rios muito baixos”, explica o pesquisador.

Estes dados foram mostrados pelo pesquisador durante palestra no workshop internacional, que acontece desde a última segunda-feira (25), no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI). O evento reúne especialistas de várias partes do mundo na área de hidrologia, climatologia, dendrocronologia e análises de isótopos na bacia amazônica.

Espinoza falou sobre os mecanismos climáticos que produzem as secas e as inundações extremas na Amazônia. De acordo com ele, as secas têm sido intensas nas últimas décadas (2005 e 2010), porém, as inundações passaram a ser mais frequentes, particularmente, depois dos anos 70.

De acordo com o pesquisador, antes daquele período, as observações mostram que houveram cinco grandes inundações. Após essa década, os pesquisadores observaram 18 inundações extremas. “Existe uma intensificação do ciclo hidrológico na Amazônia, o que está claro para a comunidade científica”, diz Espinoza.

Ele explica que as inundações são causadas, principalmente, pelo evento La Nina, mas que não é o único fator que explica as inundações. “Quando ocorre o fenômeno, existe mais fluxo de umidade que ingressa na Amazônia, permanecendo nesta região, ocorrendo precipitações de chuvas. Isto incrementa o nível dos rios, causando inundações”, explica o pesquisador.

Segundo o pesquisador, existem também condições de temperatura no Atlântico Tropical Sul que favorecem a ocorrência de mais chuvas na Amazônia. “O clima da Amazônia está controlado em grande medida com o que ocorre nos oceanos. Cercada pelo Pacífico, por um lado com o El Nino, mas também com condições de temperatura no Atlântico”.

As secas também têm o controle em ambas regiões do oceano com condições de temperatura com o evento do El Nino, no Pacífico Equatorial, o que produz déficit de precipitações na Amazônia. “Este ano, estamos observando um evento extremo do El Nino, no Pacífico Central, e está começando um déficit de precipitações na Amazônia também”.

“É muito importante continuar realizando o monitoramento das mudanças climáticas na Amazônia. Sem uma observação de boa qualidade é muito difícil fazer uma pesquisa séria”, ressaltou Espinoza.

O pesquisador da Universidade de Leeds (no Reino Unido), Manuel Gloor, falou sobre as recentes mudanças no clima da bacia amazônica e o impacto na floresta. Já o pesquisador do Laboratório de Ciência do Clima e Meio Ambiente da França, Jonathan Barichivich, falou sobre as perspectivas de longo prazo no ciclo hidrológico da Amazônia. O pesquisador do Inpa, Jochen Schongart, abordou sobre os anéis das árvores da região alagadas e central da Amazônia: o que eles nos falam sobre o crescimento do clima e a relação das condições climáticas do passado.

Workshop
O workshop internacional prossegue até sexta-feira (29). Nesta quarta-feira (27), os participantes farão uma excursão de campo nas bases de pesquisa do Inpa localizadas no rio Tarumã e no Lago do Catalão (Iranduba).
Com informações da Ascom Inpa

BASA PUBLICA RESULTADO DE EDITAL DE PATROCÍNIO PARA PROJETOS NA AMAZÔNIA



O Banco da Amazônia – BASA, publicou o resultado da seleção pública de projetos para patrocínio que respeitam a sustentabilidade econômica, social e ambiental da região amazônica para 2016, no montante de R$-1.926.650,00 (hum milhão novecentos e vinte e seis mil seiscentos e cinquenta reais). Foram selecionados 116 projetos e todas as ações deverão ser desenvolvidas em parceria com os diversos atores sociais também comprometidos com o desenvolvimento sustentável da Amazônia.
Os projetos selecionados devem promove medidas de incentivo à redução, reutilização, reciclagem e destinação adequada de resíduos, buscando minimizar os potenciais impactos ambientais negativos, induz o consumo sustentável de recursos naturais e de materiais deles derivados. Nesse sentido o BASA, patrocina eventos e projetos nos segmentos ambiental, social, cultural, esportivo e de exposições, de projetos que valorizam o que é legitimamente amazônico e favorecem a cidadania das comunidades da região Amazônica.
Os projetos selecionados é resultado do Edital de Patrocínios que tem por objeto a seleção pública de projetos patrocinados pelo Banco da Amazônia. A validade do Edital Público para a realização dos projetos contemplará somente o exercício de 2016. A execução dos projetos deverá ser desenvolvida na área de atuação do Banco da Amazônia, que é em toda a Amazônia Legal. Os projetos em seus variados segmentos deverão possibilitar ações de relacionamento com clientes do Banco da Amazônia. Caberá ao Banco da Amazônia o direito de avaliar a oportunidade de selecionar outros projetos, que não estejam inscritos neste Edital, que sejam de seu interesse vincular sua marca.
Os projetos selecionados podem ser verificados no http://www.bancoamazonia.com.br/index.php/resultado-dos-editais.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Pesquisadores da Ufam propõem alternativas de Monitoramento da Reserva Mamirauá

Na palestra ocorrida na manhã do dia 27 de janeiro, durante a programação da Escola Avançada de Sistemas Computacionais e Robóticos (Earth), o diretor-técnico do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDS), João Valsecchi, falou sobre os desafios e particularidades do cenário amazônico e apontou soluções para o monitoramento na reserva sustentável Mamirauá.

Atualmente, os estudos utilizam rádio telemetria e colares GPS para monitorar onças, peixes-bois, macacos, aves e invasões na floresta. Distâncias, difícil acesso, calor e umidade, ausência de energia elétrica continuada, comunicação inexistente na maioria das áreas, resistência ao clima e intempéries amazônicas, entre outras, são os desafios levantados pelo pesquisador. “Precisamos de solução porque todos os nossos equipamentos quebraram com descargas atmosféricas e por causa da grande quantidade de sedimentos na água, que entopem os equipamentos”, explica João Valsecchi.

Cerca de 12 onças-pintadas estão em monitoramento na reserva por meio de um cordão de GPS. A dificuldade relatada por Valsecchi está na captura dos animais. “Uma armadilha é colocada em trilhas, mas a checagem das armadilhas é feita de forma manual. A cada seis horas, os pesquisadores precisam ir in loco saber se alguma onça foi capturada. Por que não implantarmos um bipe junto às armadilhas com monitoramento de câmeras? Isso evitaria deslocamento a cada seis horas e acidentes envolvendo os pesquisadores”, disse. 
Ainda segundo o palestrante, o monitoramento por rádio exige a presença constante dos pesquisadores em campo pois as tecnologias de satélite não são aplicáveis ao ambiente amazônico, devido à necessidade de um componente flutuante do transmissor, que pode chamar a atenção de caçadores e também ser facilmente removido em áreas de igapó.

Possível solução
Um balão dirigível (aeróstato) com câmeras, sensores, e conexão de rádio, acoplados ao veículo aéreo, seria a solução encontrada para ajudar a fazer monitoramento da biodiversidade e de intrusões. O experimento, concebido pela equipe do projeto Aeróstato Remoto de Telecomunicação e Sensoriamento (Artes), é coordenado pelo professor do Instituto de Computação (Icomp) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Reginaldo Carvalho, doutor em Engenharia Elétrica e da Computação, e deve ser testado ainda este ano na reserva. Uma comitiva de pesquisadores especialistas em sistemas computacionais e robóticos visitará a reserva para conhecer os problemas in loco